HOME
APRESENTAÇÃO
CORPO CLÍNICO
ATIVIDADES
INFERTILIDADE
GINECOLOGIA
OBSTETRÍCIA
PSICOLOGIA
CIRURGIA
PESQUISA
PARCEIROS
CONTATO
LOCALIZAÇÃO
LINKS
FAQ

Saúde Feminina
Endometriose
O que é a endometriose?

     A endometriose é uma doença principalmente ginecológica e se localiza no revestimento do útero, no chamado endométrio, podendo também ser encontrada fora dele.
 

Clique aqui para ampliar.
      Começa com a implantação de células vindas do útero através das trompas e dos vasos. Estas células acabam estacionando na superfície e intimidade de muitos órgãos, as vezes bem longe, nas cicatrizes de operações na pele, pulmões (raro), etc., mas são encontradas principalmente nos ovários, útero, trompas, bexiga, nos tecidos em torno deles, inclusive no intestino externamente.

     No início são focos inaparentes, evoluem progressivamente pelos efeitos dos hormônios dos ciclos, desde as primeiras regras, principalmente devido aos estrogênios, aumentando os focos, formando saliências e micro-bolhas vermelhas, rubis, negras e brancas de 2 a 5 mm. Começam como focos isolados, se organizam em placas que ficam endurecidas. Promovem micro menstruações a cada mês, como se fossem mini-úteros. Vão se reformando e organizando cicatrizes e membranas que deformam as superfícies lisas dos órgãos no pequeno espaço que ocupam no baixo abdômem (pélvis). Estas superfícies ficam irregulares, os órgãos começam a ter dificuldades para deslizarem entre si. A bexiga, trompas e ovários apresentam dificuldades nas suas funções.
 

Clique aqui para ampliar.
      Os focos vão engrossando os tecidos, comprometendo vasos e nervos, desencadeando as dores; no começo leve, depois mais fortes. Estas dores ocorrem inicialmente junto com as regras, depois em diferentes dias do ciclo. Muitos focos retêm a mínima quantidade de sangue que produzem a cada mês e, formam cistos. Estes cistos podem ser grandes ou pequenos, situam-se, geralmente, dentro dos ovários e são chamados "cistos chocolates" ou "endometriomas" ( o conteúdo é líquido com a cor de chocolate).

     Esta doença nada tem a ver com câncer e pode ser tratada.

      Por que a doença aparece?

     A doença é também chamada "doença das teorias" porque nenhuma delas explica, com certeza, os focos longe e perto do útero.

     Um a dois porcento da população de mulheres de todo mundo, teriam a coincidência dos vários fatores que possibilitam o desenvolvimento daquelas células que migram do útero através das trompas e do ovário. Também são possíveis transformações em endometriose de outros tipos celulares, existentes normalmente nesses órgãos desde o nascimento.

     Os fatores que possibilitam o desenvolvimento da doença são genéticos, com falta de defesa natural contra os implantes daquelas células (por isso, essa doença aparece em muitos familiares). A falta dessa absorção de células acaba permitindo a instalação e desenvolvimento dos focos.

     A seguir, ou concomitantemente, há sensibilidade aos próprios hormônios femininos, irritações inesperadas por infecções ou outras doenças e, mesmo operações, ajudam o desenvolvimento, possibilitando daí para diante serem vistos os focos maiores.

     É possível que um número muito grande de ciclos que produzem os estrogênios, pelo casamento e gravidez muito tardios e, pela melhoria dos conhecimentos médicos e de seus instrumentos, tenha-se tornado atualmente muito comum o achado da doença, principalmente nas clínicas de infertilidade conjugal. Encontra-se inclusive, a endometriose, acidentalmente, em mulheres que nada sentem e têm filhos, provavelmente devido à doença estar nelas pouco desenvolvida e não ter complicado as trompas, ovários e o útero.

     A classificação e tratamento dependem do estado das lesões endometriais quando vistas nos exames e nas operações.

      Endometriose mínima:

     Encontra-se apenas alguns focos na superfície dos órgãos, em torno do útero, trompas, ovários e intestino. A anatomia, o deslizamento e os espaços entre as vísceras estão conservadas. Esses estágios mínimo em tempo variável, vai se desenvolvendo mais lenta ou rapidamente.

     O ultra-som que desenha os órgãos por fora e, verifica o estado das estruturas, nada mostra. As vezes indica sinais que também aparecem nas cicatrizes de infecções antigas. As radiografias do estudo, chamado histerosalpingografia, mostram as cavidades do útero e trompas pouco alteradas e, às vezes, alteradas por outras doenças associadas à endometriose e podem mostrar imagens somente suspeitas de aderências, confundindo-se com cicatrizes de operações. Um ou outro desses exames indicam, em certos casos, como já foi dito, a presença concomitante de outras doenças. As pacientes nada sentem e, quando questionadas, referem muito pouco. Essa endometriose mínima é encontrada nas operações por outros motivos, ou quando os médicos estão procurando as causas da esterilidade. Não se sabe porque esse estágio mínimo perturba a fertilidade em algumas mulheres, mas os médicos tratam para controlar seu conhecimento.

      Endometriose leve:

     Um pouco mais avançada que a mínima. Pode haver mais sintomas por perturbações da bexiga, trompas, ovários e intestinos. A diferença com o estágio mínimo é questão de tamanho e número de lugares com aquelas lesões agrupadas sobre os órgãos.

     As trompas podem estar abertas, mas bloqueadas por membranas.

      Endometriose moderada ou grave:

     Os médicos encontram atrás do útero muitas lesões também chamadas de implantes que explicam as dores durante as relações sexuais. Também implantes encostados na parte baixa do intestino, formando placas duras e membranas que grudam os órgãos entre si (aderências). Há muitos sintomas intestinais e outros durante as regras ou fora delas. Em ambos os lados dos ovários, há lesões, inclusive neles próprios que, às vezes, grudam entre si.

     Aparecem nos exames muito mais sinais, tanto o ultra-som como a histerosalpingografia, mostram alterações que comprometem a fertilidade. As trompas podem estar abertas mas não conseguem captar os óvulos que são então perdidos.

     Os ciclos são normais, apesar das dores. Os "cistos chocolates" são mais freqüentes.

     Surpreendem os médicos e as próprias pacientes, casos neste estágio, quase sem dores.

     As lesões tratadas por cirurgias ou inativadas pelos medicamentos, quando possíveis de serem indicados conforme os casos, retornam freqüentemente em parte e assim, os médicos se preocupam em conseguir gravidez. Quando as trompas ou os tecidos em torno, estão sem possibilidades operatórias, a única forma de se obter as gestações, será pela técnica denominada "bebê de proveta" (fertilização in vitro), micro manipulações, inseminações artificiais, etc.

     A gravidez deixa a mulher sem regra por 9 meses, completando a redução da endometriose por tempo mais longo. Os medicamentos imitam esse efeito.

      Em que circunstâncias os tratamentos são feitos?

     - As mulheres podem procurar o médico para dores, sem desejar gravidez.

     Dependendo da idade do casal, do planejamento familiar e dos estágios da doença, o médico variará a sua tática.

     - Pode haver dores e queixas sobre fertilidade. O tratamento visará a doença e outros fatores que em geral são encontrados perturbando também a fertilidade como pólipos, fibromas, miomas, aderências, problemas do canal uterino, cicatrizes de abortamento, problemas hormonais, inclusive fatores masculinos.

     Este grupo representa 40% das mulheres que freqüentam os consultórios por infertilidade conjugal.

     Os medicamentos são muito importantes para reduzir e inativar os focos e são muito eficientes para eliminar as dores.

     Freqüentemente, conforme os casos, completam os resultados cirúrgicos quando administrados antes ou depois das operações.

     Esta doença é chamada "doença do sanduíche", pois as pacientes sofrem alternativamente tratamentos com medicamentos e cirurgias e, nos períodos entre essas abordagens, há tentativas de gestações espontâneas ou induzidas por várias técnicas, dependendo de cada caso.

Texto: "Comissão Científica da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana".
 


Para saber mais, utilize as sessões abaixo:

 http:/www.isaia.com.br