| O que é a endometriose?
A endometriose
é uma doença principalmente ginecológica e se localiza
no revestimento do útero, no chamado endométrio, podendo
também ser encontrada fora dele.
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Começa com a implantação de células vindas
do útero através das trompas e dos vasos. Estas células
acabam estacionando na superfície e intimidade de muitos órgãos,
as vezes bem longe, nas cicatrizes de operações na pele,
pulmões (raro), etc., mas são encontradas principalmente
nos ovários, útero, trompas, bexiga, nos tecidos em torno
deles, inclusive no intestino externamente. |
No início
são focos inaparentes, evoluem progressivamente pelos efeitos dos
hormônios dos ciclos, desde as primeiras regras, principalmente devido
aos estrogênios, aumentando os focos, formando saliências e
micro-bolhas vermelhas, rubis, negras e brancas de 2 a 5 mm. Começam
como focos isolados, se organizam em placas que ficam endurecidas. Promovem
micro menstruações a cada mês, como se fossem mini-úteros.
Vão se reformando e organizando cicatrizes e membranas que deformam
as superfícies lisas dos órgãos no pequeno espaço
que ocupam no baixo abdômem (pélvis). Estas superfícies
ficam irregulares, os órgãos começam a ter dificuldades
para deslizarem entre si. A bexiga, trompas e ovários apresentam
dificuldades nas suas funções.
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Os focos vão engrossando os tecidos, comprometendo vasos e nervos,
desencadeando as dores; no começo leve, depois mais fortes. Estas
dores ocorrem inicialmente junto com as regras, depois em diferentes dias
do ciclo. Muitos focos retêm a mínima quantidade de sangue
que produzem a cada mês e, formam cistos. Estes cistos podem ser
grandes ou pequenos, situam-se, geralmente, dentro dos ovários e
são chamados "cistos chocolates" ou "endometriomas" ( o conteúdo
é líquido com a cor de chocolate). |
Esta doença
nada tem a ver com câncer e pode ser tratada.
Por que a doença aparece?
A doença
é também chamada "doença das teorias" porque nenhuma
delas explica, com certeza, os focos longe e perto do útero.
Um a dois
porcento da população de mulheres de todo mundo, teriam a
coincidência dos vários fatores que possibilitam o desenvolvimento
daquelas células que migram do útero através das trompas
e do ovário. Também são possíveis transformações
em endometriose de outros tipos celulares, existentes normalmente nesses
órgãos desde o nascimento.
Os fatores
que possibilitam o desenvolvimento da doença são genéticos,
com falta de defesa natural contra os implantes daquelas células
(por isso, essa doença aparece em muitos familiares). A falta dessa
absorção de células acaba permitindo a instalação
e desenvolvimento dos focos.
A seguir,
ou concomitantemente, há sensibilidade aos próprios hormônios
femininos, irritações inesperadas por infecções
ou outras doenças e, mesmo operações, ajudam o desenvolvimento,
possibilitando daí para diante serem vistos os focos maiores.
É
possível que um número muito grande de ciclos que produzem
os estrogênios, pelo casamento e gravidez muito tardios e, pela melhoria
dos conhecimentos médicos e de seus instrumentos, tenha-se tornado
atualmente muito comum o achado da doença, principalmente nas clínicas
de infertilidade conjugal. Encontra-se inclusive, a endometriose, acidentalmente,
em mulheres que nada sentem e têm filhos, provavelmente devido à
doença estar nelas pouco desenvolvida e não ter complicado
as trompas, ovários e o útero.
A classificação
e tratamento dependem do estado das lesões endometriais quando vistas
nos exames e nas operações.
Endometriose mínima:
Encontra-se
apenas alguns focos na superfície dos órgãos, em torno
do útero, trompas, ovários e intestino. A anatomia, o deslizamento
e os espaços entre as vísceras estão conservadas.
Esses estágios mínimo em tempo variável, vai se desenvolvendo
mais lenta ou rapidamente.
O ultra-som
que desenha os órgãos por fora e, verifica o estado das estruturas,
nada mostra. As vezes indica sinais que também aparecem nas cicatrizes
de infecções antigas. As radiografias do estudo, chamado
histerosalpingografia, mostram as cavidades do útero e trompas pouco
alteradas e, às vezes, alteradas por outras doenças associadas
à endometriose e podem mostrar imagens somente suspeitas de aderências,
confundindo-se com cicatrizes de operações. Um ou outro desses
exames indicam, em certos casos, como já foi dito, a presença
concomitante de outras doenças. As pacientes nada sentem e, quando
questionadas, referem muito pouco. Essa endometriose mínima é
encontrada nas operações por outros motivos, ou quando os
médicos estão procurando as causas da esterilidade. Não
se sabe porque esse estágio mínimo perturba a fertilidade
em algumas mulheres, mas os médicos tratam para controlar seu conhecimento.
Endometriose leve:
Um pouco
mais avançada que a mínima. Pode haver mais sintomas por
perturbações da bexiga, trompas, ovários e intestinos.
A diferença com o estágio mínimo é questão
de tamanho e número de lugares com aquelas lesões agrupadas
sobre os órgãos.
As trompas
podem estar abertas, mas bloqueadas por membranas.
Endometriose moderada ou grave:
Os médicos
encontram atrás do útero muitas lesões também
chamadas de implantes que explicam as dores durante as relações
sexuais. Também implantes encostados na parte baixa do intestino,
formando placas duras e membranas que grudam os órgãos entre
si (aderências). Há muitos sintomas intestinais e outros durante
as regras ou fora delas. Em ambos os lados dos ovários, há
lesões, inclusive neles próprios que, às vezes, grudam
entre si.
Aparecem
nos exames muito mais sinais, tanto o ultra-som como a histerosalpingografia,
mostram alterações que comprometem a fertilidade. As trompas
podem estar abertas mas não conseguem captar os óvulos que
são então perdidos.
Os ciclos
são normais, apesar das dores. Os "cistos chocolates" são
mais freqüentes.
Surpreendem
os médicos e as próprias pacientes, casos neste estágio,
quase sem dores.
As lesões
tratadas por cirurgias ou inativadas pelos medicamentos, quando possíveis
de serem indicados conforme os casos, retornam freqüentemente em parte
e assim, os médicos se preocupam em conseguir gravidez. Quando as
trompas ou os tecidos em torno, estão sem possibilidades operatórias,
a única forma de se obter as gestações, será
pela técnica denominada "bebê de proveta" (fertilização
in vitro), micro manipulações, inseminações
artificiais, etc.
A gravidez
deixa a mulher sem regra por 9 meses, completando a redução
da endometriose por tempo mais longo. Os medicamentos imitam esse efeito.
Em que circunstâncias os tratamentos são feitos?
- As
mulheres podem procurar o médico para dores, sem desejar gravidez.
Dependendo
da idade do casal, do planejamento familiar e dos estágios da doença,
o médico variará a sua tática.
- Pode
haver dores e queixas sobre fertilidade. O tratamento visará a doença
e outros fatores que em geral são encontrados perturbando também
a fertilidade como pólipos, fibromas, miomas, aderências,
problemas do canal uterino, cicatrizes de abortamento, problemas hormonais,
inclusive fatores masculinos.
Este grupo
representa 40% das mulheres que freqüentam os consultórios
por infertilidade conjugal.
Os medicamentos
são muito importantes para reduzir e inativar os focos e são
muito eficientes para eliminar as dores.
Freqüentemente,
conforme os casos, completam os resultados cirúrgicos quando administrados
antes ou depois das operações.
Esta doença
é chamada "doença do sanduíche", pois as pacientes
sofrem alternativamente tratamentos com medicamentos e cirurgias e, nos
períodos entre essas abordagens, há tentativas de gestações
espontâneas ou induzidas por várias técnicas, dependendo
de cada caso.
Texto: "Comissão Científica
da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana".
Para saber mais, utilize as sessões abaixo:
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